O prazo de entrega está ganhando a cada dia mais peso entre os consumidores e ter um processo logístico eficiente pode ser a chave para o sucesso do seu e-commerce no exterior. Entenda quais são os melhores processos logísticos para sites internacionais.

Conteúdo desenvolvido por EBANX e Company Combo.*

Uma das principais preocupações dos empresários a fim de ampliar a venda dos seus e-commerces no exterior é o processo logístico e não é à toa. De acordo com pesquisas realizadas pelo Google Trends, 81% dos consumidores online têm sua decisão de compra influenciada pelo prazo de entregaprometido pelo e-commerce. Diante disso, é preciso estar preparado para atender às urgências de consumo desses clientes que estão cada vez mais exigentes e com mais pressa.

Nesse caso, é preciso desconstruir o estigma aplicado à logística e compreender alguns detalhes fundamentais na hora de planejar a estratégia do seu e-commerce.

Por onde começar?

Para saber o que deve ser levado em consideração para fazer o planejamento logístico de um e-commerce, conversamos com Diego Sampaio, o especialista em logística e sócio da da Company Combo, empresa Americana que trabalha para possibilitar que empresários brasileiros façam negócios globais através dos Estados Unidos.

Boa parte dos e-commerces brasileiros, como explica Sampaio, trabalham com um sistema de processamento de pedidos próprio ou fazendo cross docking para produtos de maior valor agregado ou grandes dimensões e peso. Cross docking, é uma operação logística sem armazenamento de terceiros, ou seja, o cliente faz o pedido e, após a confirmação de pagamento, o fornecedor encaminha o(s) produto(s) para o centro de distribuição, que envia o pedido para o consumidor final.

Entretanto, Sampaio comenta que “seguindo as tendências do mercado americano e europeu, muitos e-commerces estão se renovando e começando a terceirizar seu processamento de pedidos para empresas especializadas em fulfillment. Estas ficam responsáveis pelo armazenamento dos produtos, recebimento e separação dos pedidos, envio ao consumidor e retorno ao sistema de venda com o código de rastreio.”

A principal vantagem em utilizar um método próprio de processamento de pedidos está na flexibilidade. Já na terceirização, você tem a vantagem de ter custos fixos variáveis, uma vez que não precisa preocupar-se com longos contratos de locação de barracão ou contratação de mão de obra, além da especialização, que permite que você dedique-se às áreas estratégicas da sua operação enquanto um terceiro, especializado no processo, cuida da área operacional e relacionamento com parceiros de transporte.

Sampaio ainda indica uma terceira opção de estrutura, o Dropshipping que, como explica o especialista, “além de metodologia de vendas é uma metodologia logística que vem ganhando bastante espaço no comércio eletrônico global, na qual lojistas trabalham 100% com estoque de terceiros, sem possuir nenhum produto em estoque próprio.” Neste caso, quando uma venda é efetuada, o pedido é passado diretamente ao distribuidor que irá cuidar do processo de produção e entrega como um todo.

E o frete?

Além de decidir o sistema de processamento de pedidos que vai guiar sua operação, é preciso entender as características dos tipos de frete. Entre os mais utilizados estão o frete aéreo e o frete marítimo (por containers). Ao comparar os dois processos, Sampaio aponta que o sistema aéreo é mais caro, porém consideravelmente mais rápido. “Enquanto um container marítimo leva em torno de 20-25 dias para sair do Brasil e chegar nos EUA, o avião faz a rota em um prazo de 1 à 2 dias.” Por isso, o frete aéreo é indicado para cargas menores e mais leves ou que precisam de uma entrega rápida. A entrega marítima, como falamos, é mais lenta, mas o custo é claramente menor.

A decisão do tipo de frete é essencial para definir o prazo de entrega. Para essa escolha, “é preciso levar em consideração o tempo de transporte do pedido da fábrica até o ponto de saída do país de origem, o tempo de verificação dos documentos de exportação, o tempo de transporte até país de destino, tempo de verificação dos documentos de importação e o transporte até o cliente”, sugere Sampaio.

Se utilizar serviços como DHL, UPS ou Fedex, por exemplo, o tempo total do processo geralmente é inferior à 5 dias úteis (considerando todas as etapas). Esse prazo é curto, pois estas empresas já possuem seus agentes e despachantes entregando uma solução completa de transporte internacional.

Para cargas sendo exportadas via aéreo tradicional, o tempo médio é inferior à 7 dias úteis, já se o envio for feito através dos Correios, contando com um parceiro logístico deles no destino, pode-se considerar uma estimativa de de 10 à 20 dias pelo Exporta Fácil, serviço que permite que pequenos importadores e exportadores comprem ou vendam produtos para o mundo todo e tenham um processo fiscal facilitado. Por fim, para cargas marítimas, o prazo aproximado fica entre 25 e 45 dias.

Além de um bom prazo de entrega, é preciso garantir a segurança do produto e deixar o cliente tranquilo e ciente de todas as etapas e da localização atual do produto durante o processo de envio. Para isso, o rastreamento de carga é fundamental. Sobre isso, Sampaio afirma que em caso de exportação direta ao consumidor final, os serviços dos Correios, UPS, Fedex ou DHL possuem um sistema completo de rastreamento do pedido da origem ao destino. No caso dos Correios, vale considerar que a entrega em outro país é feito pela empresa equivalente naquele país e que, portanto, o ideal é consultar o tracking number no país de origem depois que o produto estiver em solo internacional. Já para meio marítimo ou aéreo de volume, o agente de carga irá monitorar o processo para seus clientes.

Mas e as questões legais e tarifárias?

Sampaio explica que, de forma geral, todo processo de importação ou exportação exige o processo de despacho aduaneiro junto aos órgão de fiscalização, como a receita federal. Neste momento as questões fiscais serão verificadas e os impostos ou taxas necessários serão pagas.

No Brasil, uma empresa precisa de autorização do governo para importar, enquanto o processo de exportação é mais simplificado. Inclusive, há benefícios fiscais para exportação de produtos e de serviços como consultoria ou processos ligados à tecnologia, por exemplo.

As questões legais são muito variáveis. Por isso, Sampaio recomenda o acompanhamento de um bom profissional de despacho aduaneiro para determinar a classificação fiscal de seus produtos e quais as exigências tanto para o transporte como para a entrada em outros mercados. Mas, de forma geral, são exigidos os documentos fiscais (nota fiscal/invoice), packing list (listagem dos produtos, quantidades e dimensões), conhecimento de embarque (documentos de transporte) e os documentos legais de registro/autorização de cada país.

Conclusão

Para definir o processo logístico do seu e-commerce, você precisa estar ciente das particularidades legais de cada país em que venderá seus produtos para sempre estar de acordo com as legislações vigentes. Além disso, mensure o custo x benefício entre tamanho e peso da carga x prazo de entrega para a decisão do frete. Produtos menores, em quantidades pequenas podem ser enviados de avião sem custos estratosféricos, porém para cargas grandes com produtos pesados ou que precisam de muito espaço, é recomendado o frete marítimo. Na hora de escolher se vai terceirizar ou assumir o processamento de pedidos, pense na expansão do seu negócio, na necessidade de estoque, nos custos que isso terá e na demanda profissional que o processo se tornará.

É preciso entender o momento da empresa e se ela está pronta para absorver esse processo e centralizar o contato com o cliente e cuidados com as entregas ou se é melhor entregar essa questão nas mãos de uma empresa especializada e se concentrar nos outros aspectos do seu negócio.